domingo, 8 de abril de 2012

Sulcos que o verniz não encobre


Porque “...nadie puede matar lo que ya há sido...”,

Eu ainda guardo na minha o gosto secreto da tua boca;

E o sol despediu-se tantas vezes desde então.



Porque “...nadie puede matar lo que ya há sido...”,

As pequenas coisas continuaram significando tanto,

O perfume discreto da tua nuca e a misteriosa delicadeza daquele teu sorriso terno e breve.



O rio do qual eu gosto

Gosto deste velho e generoso rio às margens do qual plantei árvores e amizades, tive um amor e um filho, escrevi singelas e prosaicas histórias; talvez por gostar de distâncias, ele não se resignou em escolher o traçado mais curto para chegar ao mar; teatino, serpenteou serras, planicies e lonjuras para juntar suas águas às das cataratas; gosto deste velho e generoso rio

As coisas do espaço-tempo

Resultado de imagem para espaço tempo

Pode parecer estranho, mas a Teoria da Relatividade me autoriza a crer que aquilo que foi continua sendo em algum lugar do espaço-tempo, e então,

                                  exatamente neste momento 

de algum lugar distante do universo e através das estrelas, alguém pode estar observando aquele nosso longínquo, inefável e fugaz primeiro beijo.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O menino e a primavera

O menino caminha pela calçada levado pela mão de sua mãe;
Enquanto vai, o menino pula, aponta para a nuvem, tenta alcançar a borboleta, sorri para o transeunte;
Sua mãe, talvez por carregar um mundo sobre as costas, simplesmente segue, absorta.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Gravuras de Machu Picchu


À sombra da Montanha Feliz eu sussurrei um pedido,
A brisa o carregou com ela e o espalhou por todo o vale.
Depois retornei à trilha, e enquanto caminhava, ia traçando desenhos imaginários;
Lembrei da felicidade e olhei o vazio,
De alguma forma eu sempre estivera ali, e você comigo.
Eu ainda trazia os olhos repletos de estrelas da noite que se fora,
Quando o Sol, como um velho e conhecido poeta, mostrou-me a sua face mais esplendorosa.

Como esquecer, afinal?

Todos os fragmentos estão ali, escondidos em monóculos obsoletos,
E em janelas entristecidas com suas cortinas estranhas e amarelecidas.
Naquela noite longínqua, o sol jamais viu as flores que desabrocharam,
Salpicaste as estrelas com poesias coloridas e ninguém mais, além de mim, soube de ti naquela noite;
Como esquecer os teus olhos grandes e aquela mochila vermelha, onde guardavas uns sonhos e lembranças ensolaradas?

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Disparates urbanos

Era um quase poema,

Ou, de outro modo, uma nuança de poema.

Tinha uns mistérios de coisas não ditas

E sugeria outras, também insondáveis.

Por ser um quase poema,

Se permitia certas liberdades, como aquelas,

De rimar amor com amora,

Sim, amora, aquela frutinha delicada e deliciosa,

Com a qual, recentemente, reatei antigos laços de afeto.

Por outro lado, por ser um quase poema,

Flanava acima das regras, inclusive as da física.

O vi singelamente pousado na face cinza de um muro de Porto Alegre.

Outono urbano de irremediável melancolia aquele.

Outono urbano de irremediável melancolia aquele