Por aquela época, nada tínhamos para carregar nos bolsos.
O que havia eram umas esperanças modestas que andavam aqui e ali.
Nada muito sólido.
Eram como bolhas de sabão, as nossa esperanças.
Eram tímidas, as nossas esperanças.
Tão humildes que se escondiam ao primeiro ruído mais forte.
Mas nos acalentavam o peito nas tardes frias de inverno;
E quando andávamos pelas ruas melancólicas do bairro das pedras,
elas nos traziam à face um sorriso sem razão, aquelas esperanças singelas.
Há muito eu já não as trago comigo;
elas se foram, humildes e silenciosas.
Como eu queria tê-las novamente por perto.