domingo, 20 de novembro de 2016

Sobre as coisas que pensamos quando estamos a sós


" Só feche seu livro quem já aprendeu
Só peça outro amor quem já deu o seu
Quem não soube a sombra, não sabe a luz
Vem não perde o amor de quem te conduz "


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Sobre os Pequenos Milagres da Vida



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Ela desabrochou com as primeiras horas do dia. 

E sem alardes, 
sem nenhuma razão aparente 
e também sem qualquer outra pretensão, 
que não a de desabrochar
simplesmente, 
projetou suas pétalas em direção ao sol, 
delicadamente. 
Uma borboleta prostrada e velha, 
um beija-flor que há muito não beijava 
e uma abelha exaurida, que há algum tempo perdera suas asas e agora só observava, 
observavam. 
A tarde veio e se foi.
A borboleta, pelo discreto, errático e derradeiro voo,
o beija-flor, por seu último e mais apaixonado beijo 
e a abelha, pela doçura inaudita daquele último néctar,
agradeceram por ela,
e pelos pequenos milagres da vida.
Quando a noite chegou, enfim,
só os pirilampos testemunharam a partida!         

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Universos Paralelos



Resultado de imagem para wyeth andrew helga
Não, não abras a janela! 
Lá fora, eu sei, amanhece. 
Mas aqui, em nosso pequeno universo,
estrelas andarilhas ainda desfiam seus novelos
suspensas sobre o véu e a faina. 
Quando a janela se abrir, amor, acredites,
o dia há de incinerar os sonhos,
e a avidez há de apagar as promessas.
Mas aqui, em nosso pequeno universo encapsulado pela bruma,
e onde os astros rabiscam suas trajetórias excêntricas,
chego a crer, com a ingenuidade dos bêbados, 
que é possível, sim, 
que tudo já estivesse escrito nas estrelas.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

apenas há alguns instantes




Depois de olhar descuidadamente para os dois lados ela atravessou a rua e andou, sem pressa, por mais duas quadras até chegar a Alameda das Borboletas. Percorreu ainda alguns metros e deteve-se junto as escadarias do velho prédio. O tempo, há muito, igualmente detivera-se ali. Seus olhos buscaram por algo que só a lembrança retivera: Risos e flores indiferentes ao concreto insípido; olhares furtivos que prometiam o desconhecido; roçar de lábios e de dedos; estranhamentos desafiavam as tardes baldias depois da escola. Tudo impregnara tudo, e a gravidade dos anos não conseguiu obliterar a leveza e a bruma ali onde a felicidade, um dia, aninhara-se apenas para observar os filhos prediletos da primavera. Além daqueles limites, só os escombros e a entropia.