Continuo te esperando... Quem me dera que em uma manhã qualquer, por algum equívoco do espaço-tempo, tu entrasses por aquela porta, mochila nas costas, sorriso nos lábios e a face iluminada pelo sol de uma primavera imemorial!
Apenas por um dia é a natureza daquilo que é efêmero, transitório, impermanente, mas nem por isso menos belo, singular ou desprovido de importância. Sempre haverá uma perspectiva, um fragmento encoberto, que faz com que algo qualquer envolva alguma qualidade incomum, ainda que ambígua, mas por isso mesmo, rara.
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Mais um dia
As costas contra as cordas denunciavam a aflitiva posição no ringue. O último golpe na linha da cintura o deixara completamente sem ar. Esforçava-se para manter a cabeça oculta atrás dos punhos vacilantes, mas o sangue que vertia de seus supercílios abertos deixava a sua visão turva. Lembrou-se, então, daquela manhã de setembro e do sol refletindo no rosto dela. Vestia uma camiseta amarela com pequenas flores vermelhas; os cabelos soltos, os olhos amendoados e as mãos inquietas, de uma alva delicadeza. O adversário, implacável, continuava a castigar-lhe, agora com uma combinação que parecia interminável. Mas foi um jab de esquerda que fez seus joelhos dobrarem. Apelou para o clinch, e apenas por um instante a lona pareceu-lhe o destino inexorável. Foi na primavera de 1986; Paulo descia pela Rua Dr. Flores e Yasmine estava em frente a uma vitrine; os olhos dele buscaram os dela e desde então eles foram os seus faróis. Buscou uma última lufada de onde não havia; levantou os olhos, endireitou os joelhos trêmulos e refez a guarda num derradeiro e tormentoso esforço. Ele sabia que as duas coisas realmente importantes àquela altura eram, permanecer em pé, e continuar respirando. E foi o que fez. O gongo soou. Claudicante, foi para o corner solitário - os corners são sempre solitários. Amanhã seria um outro dia! E tudo o que ele podia fazer, pelo menos por ora, era permanecer em pé... e respirando!
terça-feira, 26 de julho de 2016
segunda-feira, 25 de julho de 2016
Fragmentos do dia
Estavas tão distraída
que nem te deste conta
quando um sopro de brisa entrou pela janela
e brincou com a penugem da tua nuca.
Por onde andavas então
enquanto teus olhos passeavam a esmo?
Variáveis sobre a Impermanência
Eu sempre me vou. Gosto disso. Gosto do gosto que levo quando me vou. E invariavelmente me vou à noite. Isso porque gosto do gosto da noite, da solidão da noite, da brisa fresca da noite em meu rosto vincado. Houve algumas ocasiões, raras, é verdade, em que pensei em quedar-me. Mas logo me dei conta da impossibilidade em fazê-lo. Minha bagagem é leve. Aquilo que realmente importa eu carrego dentro de mim mesmo, inclusive aquele sorriso luminoso que me deste naquela longínqua tarde de abril.
segunda-feira, 4 de julho de 2016
O quantum e o impressionismo
"Impression du Soleil Levant", de Monet, tela que deu nome ao movimento.
terça-feira, 28 de junho de 2016
Pelos olhos de Galileu
Na noite de 4 janeiro de 1610 a lua, as estrelas e os planetas testemunharam o momento exato em que, pela primeira vez, um homem olhou bem dentro dos olhos do Cosmos,
e o universo nunca mais foi o mesmo desde então.
Meus olhos nunca mais foram os mesmos depois de te ver passar.
E aquele universo de outrora, só meu, tão estável e acolhedor, colapsou-se.
Todas as leis que regiam o meu cotidiano tedioso foram subvertidas pelo teu horizonte de singularidades.
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