sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Gabriela


Continuo te esperando... Quem me dera que em uma manhã qualquer, por algum equívoco do espaço-tempo, tu entrasses por aquela porta, mochila nas costas, sorriso nos lábios e a face iluminada pelo sol de uma primavera imemorial!


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Mais um dia

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As costas contra as cordas denunciavam a aflitiva posição no ringue. O último golpe na linha da cintura o deixara completamente sem ar. Esforçava-se para manter a cabeça oculta atrás dos punhos vacilantes, mas o sangue que vertia de seus supercílios abertos deixava a sua visão turva. Lembrou-se, então, daquela manhã de setembro e do sol refletindo no rosto dela. Vestia uma camiseta amarela com pequenas flores vermelhas; os cabelos soltos, os olhos amendoados e as mãos inquietas, de uma alva delicadeza. O adversário, implacável, continuava a castigar-lhe, agora com uma combinação que parecia interminável. Mas foi um jab de esquerda que fez seus joelhos dobrarem. Apelou para o clinch, e apenas por um instante a lona pareceu-lhe o destino inexorável. Foi na primavera de 1986; Paulo descia pela Rua Dr. Flores e Yasmine estava em frente a uma vitrine; os olhos dele buscaram os dela e desde então eles foram os seus faróis. Buscou uma última lufada de onde não havia; levantou os olhos, endireitou os joelhos trêmulos e refez a guarda num derradeiro e tormentoso esforço. Ele sabia que as duas coisas realmente importantes àquela altura eram, permanecer em pé, e continuar respirando. E foi o que fez. O gongo soou. Claudicante, foi para o corner solitário - os corners são sempre solitários. Amanhã seria um outro dia! E tudo o que ele podia fazer, pelo menos por ora, era permanecer em pé... e respirando!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Fragmentos do dia

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Estavas tão distraída 
que nem te deste conta
quando um sopro de brisa entrou pela janela
e brincou com a penugem da tua nuca.
Por onde andavas então
enquanto teus olhos passeavam a esmo?

Variáveis sobre a Impermanência

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Eu sempre me vou. Gosto disso. Gosto do gosto que levo quando me vou. E invariavelmente me vou à noite. Isso porque gosto do gosto da noite, da solidão da noite, da brisa fresca da noite em meu rosto vincado. Houve algumas ocasiões, raras, é verdade, em que pensei em quedar-me. Mas logo me dei conta da impossibilidade em fazê-lo. Minha bagagem é leve. Aquilo que realmente importa eu carrego dentro de mim mesmo, inclusive aquele sorriso luminoso que me deste naquela longínqua tarde de abril.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

O quantum e o impressionismo

Resultado de imagem para impression du soleil levant de monetObs.: Depois da leitura desse texto débil, eu sugeriria abrir no Youtube a música Vincent, de Don MacLean, e ouvi-la como se fosse uma prece.










"Impression du Soleil Levant", de Monet, tela que deu nome ao movimento.

Quando em 14 de dezembro de 1900 Max Karl Ernest Ludwig Plank, ou Plank, simplesmente, apresentou pela primeira vez à vetusta Sociedade Científica Alemã a sua estranha teoria do quantum, inaugurando assim a Física Quântica e desvelando aquilo que se convencionara chamar de Catástrofe Ultravioleta, é possível que simplesmente - se é que se poderia chamar a esse feito de simplesmente - o que tenha realmente empreendido fora começar a traduzir para a linguagem matemática aquilo que, na arte, Monet, Van Gogh, Renoir, Dégas, Cézanne e outros já estavam fazendo com seus pincéis. O que seja? Capturar a luz em toda a sua plenitude, para fazê-la, gentil e delicadamente, revelar os seus segredos mais sutis. 

terça-feira, 28 de junho de 2016

Pelos olhos de Galileu

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Na noite de 4 janeiro de 1610 a lua, as estrelas e os planetas testemunharam o momento exato em que, pela primeira vez, um homem olhou bem dentro dos olhos do Cosmos,
e o universo nunca mais foi o mesmo desde então.
Meus olhos nunca mais foram os mesmos depois de te ver passar.
E aquele universo de outrora, só meu, tão estável e acolhedor, colapsou-se.
Todas as leis que regiam o meu cotidiano tedioso foram subvertidas pelo teu horizonte de singularidades.