quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Ofélia, a filha do Conselheiro








Um  marquês lhe sorriu da janela, daquela, pintada de amarelo
E amarelo era sua cor preferida, e as tardes, pintadas de sóis

Havia esse mundo só dela, e nele, tudo lhe era singelo
Singela lhe era a vida, pois ainda não lhe conheciam os anzóis

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

De quem já foi Dom Quixote




Por onde andaste, Dulcineia de Tomboso?
Saibas que em todas as primaveras que se seguiram eu vim aqui
e sentado naquele mesmo banco esperei por ti

A cidade, as flores da cidade e todas as janelas, abertas, aguardavam por tua volta, Dulcineia
E Rocinante, coitado, há muito tempo se foi, partiu a tua procura e dele nunca ninguém mais soube

Quem me dera, Dulcineia, quem me dera voltar a roda do tempo
E todos os versos do mundo
Os sussurros dos amantes varando a noite eterna do cosmos
E você, só você, Dulcineia, "...Que así envidiada fuera, y no envidiara
                                              Y fuera alegre el tiempo que fué triste..."

Por onde andaste então, Dulcineia de Tomboso...?

inter esse




Quando disseste, um dia, que havias me decifrado

Percebi, desiludido, que tudo estava finito

Pois se o infinito se fora, com ele todo o mistério

E aquele lance no estômago, que inquieta os enamorados