Sentada em frente à calçada, ela sublinhava substantivos abstratos;
ensimesmada, não percebeu que o outono sucumbira ao inverno,
e que o inverno também já sucumbia.
Mas quando a orla da tempestade surpreendeu o subúrbio,
seus dedos longos e pálidos apalparam o horizonte,
e então finalmente ela sabia...
Apenas por um dia é a natureza daquilo que é efêmero, transitório, impermanente, mas nem por isso menos belo, singular ou desprovido de importância. Sempre haverá uma perspectiva, um fragmento encoberto, que faz com que algo qualquer envolva alguma qualidade incomum, ainda que ambígua, mas por isso mesmo, rara.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Tatana...
...eu sei. É que aquela velha casa esconde em seus cantos um pouco da felicidade que não foi embora. Pssiu... Silêncio...Ouve... Há um sorriso antigo escondido embaixo da escada.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Naquele Lugar
Naquele lugar, porque eu sempre os guardarei ali, próximo à fronteira argentina e longe da ampulheta dos dias e de seus ocasos,
Paulo e Beatriz brincam para sempre, indiferentes ao carrossel e sua velocidade atroz.
Naquele lugar a felicidade dos hiperbóreos também armou sua tenda; ah, como eu queria...
Paulo leva os dedos aos olhos e Beatriz o ama.
Dias atrás alguém me disse que Beatriz fora vista em Balneário Camburiu e que Paulo se mudara para a Tijuca.
Claro que se trata de um engano!
Porque Beatriz e Paulo continuam ali, naquele lugar inefável, próximo à fronteira argentina e longe da ampulheta dos dias e de seus ocasos.
Paulo e Beatriz brincam para sempre, indiferentes ao carrossel e sua velocidade atroz.
Naquele lugar a felicidade dos hiperbóreos também armou sua tenda; ah, como eu queria...
Paulo leva os dedos aos olhos e Beatriz o ama.
Dias atrás alguém me disse que Beatriz fora vista em Balneário Camburiu e que Paulo se mudara para a Tijuca.
Claro que se trata de um engano!
Porque Beatriz e Paulo continuam ali, naquele lugar inefável, próximo à fronteira argentina e longe da ampulheta dos dias e de seus ocasos.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
A Palavra
Ao palato,
Lavra,
Plano infinito de sentidos.
Universo...
Sâmara de múltiplas asas.
E ao peito,
Espada,
Brandir fundamental de multiformes ressonâncias,
Movimento.
Alento imemorial fecundando o nada.
E aos olhos,
Prurido...
Mâe das idéias que redescobrem o dia,
V o o...
Alçada sobre a ignorância, p o e s i a...
Lavra,
Plano infinito de sentidos.
Universo...
Sâmara de múltiplas asas.
E ao peito,
Espada,
Brandir fundamental de multiformes ressonâncias,
Movimento.
Alento imemorial fecundando o nada.
E aos olhos,
Prurido...
Mâe das idéias que redescobrem o dia,
V o o...
Alçada sobre a ignorância, p o e s i a...
sábado, 29 de agosto de 2009
sábado, 22 de agosto de 2009
El dia que me quieras
Eu tinha uns seis ou sete anos, e pelo que me lembro, era um final de tarde esplêndido. As árvores esforçavam-se para reter em seus galhos as derradeiras réstias de sol que o horizonte, por sua vez, teimava em resgatar e levar consigo.
Eu e meu pai seguíamos, sem pressa, em meio a transeuntes apressados. De algum lugar, em meio ao burburinho da cidade entardecida, as primeiras notas daquela música chegaram, e estranhamente, pareceu-me parida por aquele mesmo crepúsculo.
Apurei meus ouvidos tentando perscrutá-la. Repentinamente me detive em frente à janela de um velho sobrado de cor amarelo-entristecido.
Enquanto meu pai tentava entender o que havia, minha respiração se conteve, como que por vontade própria. Senti meu coração pulsando de um jeito que nunca sentira antes, afinal, eu era apenas um menino.
E então a melodia, por inteira, escapando por aquela janela encantada:
"...acaricia me ensuño... el suave murmullo... de tu suspirar... como rie la vida... si tus ojos negros... me quieren mirar... y si es mio el amparo... de tu risa leve... que es como un cantar... ella aquieta mi herida... todo, todo se olvida... el dia que me quieras... la rosa que engalana... se vestirá de fiesta... con su mejor color..."
Por anos pensei que aquela fosse a música mais bonita que alguém já fizera, ainda que não tivesse compreendido por inteiro os seus versos, num primeiro momento.
Desde então, sempre que a ouço, a mesma mágica acontece, e volto a ser aquele menino, com seus seis ou sete anos mais ou menos, que gostava dos entardeceres.
Desde então, sempre que a ouço, a mesma mágica acontece, e volto a ser aquele menino, com seus seis ou sete anos mais ou menos, que gostava dos entardeceres.
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